11/01/2026 – 18:55
Atualizado em 13/01/2026 – 11:05
Da redação
Mulher mata companheiro com facada, em Mairinque
Segundo apurado pelo Jornal São Roque, uma mulher identificada como Marilene matou seu companheiro com uma única facada, pois durante uma forte discussão a vítima, que já vinha apresentando comportamento violento, desferiu-lhe um tapa no rosto. Prevendo o pior e para se defender, Marilene pegou uma faca e atingiu o tórax da vítima.
Conforme informado por J., cunhada de Marilene (que não quis se identificar), o casal tinha um relacionamento conturbado. Moravam em uma casa com 2 filhos menores, de um relacionamento anterior de Marilene, e o pai de Marilene mora em uma casa “parede com parede” com a casa da filha.
O crime aconteceu na noite de sábado, 10 de janeiro, na rua Senador Lino de Matos, Granada, Mairinque (SP).
J., muito nervosa, disse que Marilene sofria violência doméstica e apurou-se posteriormente que apesar das frequentes brigas e discussões, Marilene não lavrou boletins de ocorrência, sendo ignorados os motivos. O pai dela conta que no começo do relacionamento, há 1 ano e meio, a convivência era harmoniosa, mas com o passar do tempo as brigas e discussões começaram.
Nos momentos anteriores ao crime, o pai de Marilene escutou uma forte discussão, e os filhos menores presenciaram tudo.
Foi a própria Marilene quem chamou a polícia, e o SAMU constatou o óbito da vítima no local do crime. As autoridades disseram que a autora estava tentando estancar o sangue com alguns panos ou toalhas, prestando primeiros socorros, e que chorou quando foi comunicada do falecimento. Disse que não era aquilo que ela queria, que o amava.
O corpo foi periciado no IML de Sorocaba.
Marilene foi presa e encaminhada à delegacia de polícia de Mairinque, e a audiência de custódia ocorreu em 11/01/2026.
O filho mais velho de Marilene, Maurício (maior de idade, não morava com a mãe) contou que quando chegou ao local dos fatos encontrou um dos menores, seu irmão, limpando o sangue do chão. A faca utilizada também foi limpa mas estranhamente não foi levada pelos peritos.
Erro grosseiro, já que mesmo com a limpeza com detergente comum, o agente químico “luminol” consegue detectar manchas de sangue. Ainda, através de técnicas de medicina legal (tipo de corte, profundidade), seria possível confirmar se era a arma do crime ou não, sendo também possível descobrir a distância que separava o casal quando da facada – fatores importantes que podem em tese inocentar Marilene.
Marilene não foi solta na audiência de custódia pois pesou contra ela o fato da facada ter sido no tórax – o que leva a óbito – e não em outro local do corpo da vitima, para imobilização (perna, por exemplo). Além disso, a cena do crime foi alterada – houve ao menos a limpeza da faca e do chão, onde havia sangue.
Contudo, somente a perícia poderá dizer quão perto estava a vítima de Marilene quando da facada, e em crimes de ódio, onde realmente se deseja a morte, é padrão serem desferidos vários golpes (tiros, facadas, socos, pedradas). Também a favor de Marilene existe a previsão legal de que a mulher, seja em prisão provisória, cautelar ou definitiva, possa cumprir esse período em seu lar para cuidar dos filhos menores. Este direito é previsto também em tratados internacionais.
Na visão do Jornal São Roque, o caso trata-se de legítima defesa. Se Marilene não tivesse se defendido, poderia ter sido mais uma vítima de feminicídio. Até o presente momento a família informou que ainda não conseguiu a contratação de um advogado.
Imagem: Google Maps.